As Vozes Alfonsinas participarão no próximo dia 9 de Outubro no X Festival de Música Antigua Iberoamericana (Cáceres), actuando na Igreja de S. Mateus, pelas 20:30, horas locais.
O tema do concerto será De la mar al Brasil: Canciones y otros sones
Amores en la mar
Benedicamus Domino, Anónimo
“Na fonte está Lianor”, Anónimo
“Senhora quem vos disser” , Anónimo
“Si amores”, Mateo Flecha/Miguel de Fuenllana, duo instr.
“Si los delfines”, Miguel de Fuenllana: Endechas de Canarias
Pavana (instr.), Luís Milán
“Parto triste, saludoso” , Anónimo
“Cuidados meus tão cuidados” , Anónimo
“Guardame las vacas”, Luís Narváez: Variações sobre (instr.)
“Io m’estando em Coimbra” , romance,Anónimo
Amores brasileños
Ave Maria poránga, Anónimo (música)/ José de Anchieta (texto tupi)
“Ó que pão, ó que comida”, Anónimo (música)/ José de Anchieta (texto), (Do
Santíssimo Sacramento)
Congratulamini mihi omnes, Juan de Anchieta,(instr.)
“Oh Dios infinito”, Anónimo (música)/ José de Anchieta (texto)
“Mil suspiros dió Maria”, Anónimo (mús.)/ José de Anchieta (texto):
“Marizápalos baxó una tarde”/“Marinículas todos os dias”, Anónimo (música)/ López de Honrubias, Gregório de Matos (textos):
“Venid a sospirar al verde prado/Venid a suspirar con Jesú amado”, Anónimo /José de Anchieta (texto)
A composição do grupo para este concerto será a seguinte:
Manuel Pedro Ferreira, direcção
Susana Conde Teixeira, meio-soprano, flauta de pico
A presente Antologia dedicada à música em Portugal na Idade Média e no Renascimento, compreendendo dois volumes e dois CDs, põe pela primeira vez à disposição uma introdução histórica actualizada sobre os primeiros séculos da actividade musical no território português, ilustrada com fotografias a cores e a preto e branco, com exemplos sonoros e com transcrições musicais.
A introdução, a direcção musical e a coordenação das colaborações musicológicas coube a Manuel Pedro Ferreira, especialista da Universidade Nova de Lisboa com largo currículo internacional. Os discos foram gravados pelo grupo Vozes Alfonsinas, que desde 1995 se dedica, com assinalável sucesso, à recriação e divulgação da música ibérica mais antiga.
A antologia de música reúne 56 peças, uma variedade de repertório conhecido ou composto no território que hoje é Portugal entre o século VII e o final do reinado de D. Sebastião.
A secção «Monodia sacra» inclui duas peças inéditas, uma versão desconhecida e novas leituras de outras três peças.
Nas secções «Monodia profana medieval» e «Monodia religiosa medieval em língua vulgar» incluem-se novas leituras musicais de três cantigas e três propostas inéditas de adaptação de melodias medievais a textos cantados que nos chegaram sem música; quatro composições recebem também uma nova edição textual. A inclusão, sob o título «Primeiras polifonias e polifonias simples», de peças medievais até há pouco desconhecidas ou sujeitas a interpretações equivocadas e de peças mais tardias que dificilmente se enquadram nos cânones eruditos é, em si mesma, uma novidade historiográfica, que vem na linha da recente valorização, na musicologia internacional, de modos de fazer música algo arcaicos ou informais. Esta secção inclui três peças absolutamente inéditas e três outras que apenas se encontram em publicações de circulação restrita.
Na secção «Canção profana (século XVI)» apresentam-se leituras por vezes distintas das que nos são oferecidas nas edições disponíveis, havendo sempre o cuidado de dispor os textos completos sob cada uma das vozes, nos casos em que a textura é polifónica.
Na secção «Polifonia sacra (século XVI)» incluem-se nove peças inéditas e uma que estava apenas parcialmente publicada. Na secção «Música instrumental» incluem-se cinco versões ou peças inéditas provenientes da Arte novamente inventada para aprender a tanger de Gonçalo de Baena (Lisboa, German Galharde, 1540), entre as quais uma intabulação do mais célebre moteto de Pero do Porto (Escobar) e uma composição rara de Cristóbal de Morales, além de novas leituras de duas fantasias para tecla atribuídas a António Carreira, o Velho. A edição, a partir dos impressos originais, das peças de Milán e Fuenllana teve em conta a possibilidade de se tocar na guitarra moderna a música aí publicada em tablatura para vihuela.
Estou a escutar o concerto de Natal das Vozes Alfonsinas no CCB. Devo dizer que estou deliciado com a qualidade do grupo e da direcção e escolha das obras.
O director, Manuel Pedro Ferreira, e o grupo estão de parabéns por um trabalho de alto nível.
Diz Pedro Boléo, no Público (sem link) também em 21 de Dezembro:
As Vozes Alfonsinas: "Amores divinos e profanos" Lisboa, Pequeno auditório do Centro Cultural de Belém Terça-feira, 16 de Dezembro, às 19h
Cerca de 100 espectadores As Vozes Alfonsinas apresentaram no CCB um programa ambicioso na sua forma e na sua dimensão. O repertório foi cuidadosamente escolhido, incluindo canções europeias do Renascimento, vilancicos ibéricos dos séculos XV ao século XVIII e cânticos de Natal, a condizer com a quadra. Mas o início do espectáculo continha um risco - era difícil cativar os ouvintes com um canto religioso distante, o Canto da Sibila, segundo a tradição bracarense, quase sempre a uma só voz, e cobertos com capas escuras. Ainda nesta primeira parte em que se falava de amores divinos, "em torno ao Natal", ouviram-se contudo pequenas pérolas musicais que despertaram os ouvidos. Foi o caso de Ad cantus leticie, um discantus para duas vozes muito bem cantado, mostrando-nos as surpresas de uma das primeiras formas de contraponto escritas.
O espectáculo voou depois para os "amores profanos", começando com um excelente momento de Susana Teixeira em Mon seul plaisir de John Bedyngham. Nesta parte cantavam-se canções (algumas em versão instrumental) do manuscrito 714 (códice Porto 714), importante fonte musical do século XV que está na Biblioteca Pública Municipal do Porto. Destaquemos o trio vocal Helas n'array ie jamais mieux, a que só faltou uma afinação mais rigorosa, ou O rosa bella, uma outra belíssima canção de Bedyngham. Quebrado o gelo com estes amores terrestres, com o "aquecimento" dos instrumentos (alaúde, vihuela, rabeque e flautas) e com o calor das bocas, As Vozes Alfonsinas mostraram, depois do intervalo, o verdadeiro objectivo do projecto dirigido por Manuel Pedro Ferreira, ou seja, a interpretação de qualidade de um reportório cuidadosamente estudado, transcrito e trabalhado, com opções estéticas e sonoras que põem em destaque a voz e os textos. Por isso mesmo foi pena que não pudessem ser distribuídos os textos das canções do programa, que podiam ajudar nalguns casos a decifrar arcaísmos de linguagem.
Seguiram-se canções e peças ibéricas do Renascimento. Novamente houve problemas de afinação no início da segunda parte com Un'amiga tengo, hermana. Mas seguiu-se um belo percurso, quase sem espinhas, com momentos altos em Na Fonte está Lianor ou Parti ledo por te ver (do cancioneiro de Elvas), com Susana Teixeira, Maria Repas Gonçalves e Sérgio Peixoto em grande forma. As vozes femininas cantaram com particular sensibilidade Si los delfines, versos musicados de Miguel de Fuenllana. Pelo meio, pequenos e interessantes momentos instrumentais, sobretudo a Fantasia de Luís Milán e, apesar dos tropeções, a excelente obra de Luís Narváez sobre Guardame las vacas.
O programa completava-se com um regresso ao Natal e um final delicioso (e entusiasmado), com um vilancico de fins do século XV, num crioulo antigo guineo-português. E então se confirmaram algumas das melhores qualidades do grupo: boa ligação entre as vozes e criação de timbres e sonoridades não convencionais. E sobretudo o facto de serem agradáveis e ricas vozes humanas, não formatadas, e cuidadosas com a dicção e a articulação. Coisas com muita importância, porque cantar é também contar, dizer, narrar. Neste caso, contar histórias de amor muito antigas.
As Vozes Alfonsinas apresentam-se em concertos com os elementos base do grupo sendo que, e para alguns programas específicos, recorre a músicos convidados que lhes possibilitam abarcar obras que necessitem de mais instrumentos, mais cantores ou ambos.
Propõem-se, normalmente, uma série de programas diferentes que têm a particularidade de versar uma determinada época, estilo musical ou, e por vezes, apenas o documento (cancioneiro) que guarda as peças interpretadas.
São estas as propostas mais estruturadas mas a possibilidade de ajustamento a programas mais ou menos específicos é sempre possível.
Polifonias Arcaicas
Este programa faz uma visita guiada a alguns dos mais interessantes exemplos da polifonia europeia dos primeiros tempos, dos ensaios de acompanhamento instrumental feitos no sul de França, no século XI, aos grandes monumentos do período gótico francês, passando pela peça mais antiga a duas vozes escrita em Portugal (Arouca), pelo Códice Calixtino de Compostela e pelo mosteiro de Las Huelgas em Burgos. Um percurso original segundo a investigação mais actualizada, servido por vozes flexíveis e potentes.
A Canção Hispano-Arábe e Medieval Ibérica
Alfonso X
Al-Shushtari
Ibn Zuhr
Al-A’ mà/Ibn Baqi?
Martin Soarez
Joan Airas
Roi Fernandes
Dom Dinis
Martin Codax
Apontamento Trovadoresco Cantigas de Santa Maria
Dom Dinis
Martin Codax
Joan Airas de Santiago
Joan Lobeira
Roy Fernandes de Santiago
A Canção nas Cortes Medievais e do Renascimento
O percurso de quase trezentos anos proposto neste programa evidencia os traços de continuidade entre as práticas musicais das cortes europeias ao longo desse período, e também as transformações entretanto ocorridas. Do princípio ao fim, propõem-se canções de temática amorosa.
O Livro do Bom Amor – Música do Tempo de D. Inês
O cerne deste programa musical é constituído por narrativas literárias e canções das cortes europeias do tempo deD. Pedro e de D. Inês de Castro. Trata-se de música a uma, duas e três vozes.
Do Amor Divino ao Bom Amor de D. Inês
O "Livro do Bom Amor" de Juan Ruiz (c. 1330-43), que poderá estar suposto no programa iconográfico do túmulo de D. Inês, é um marco no desenvolvimento da literatura ibérica no século XIV; o autor interlaça na sua narração as noções de amor divino e de amor humano, recorrendo também à simbologia numérica para sublinhar essa inter-relação. Entremeado com este texto poético, poder-se-á escutar um programa musical constituído por peças da tradição trovadoresca galego-portuguesa e dos compositores contemporâneos de D. Pedro e D. Inês, designadamente Philippe de Vitry e Guillaume de Machaut em França, Jacopo da Bologna e o jovem Landini em Itália.
O Manuscrito “Porto 714” – Canções das Cortes Europeias no Século XV
O manuscrito 714 da Biblioteca Pública Municipal do Porto é uma das mais importantes fontes musicais do século XV, Nesta proposta de concerto, poderão interpretadas, pela primeira vez, todas as canções polifónicas copiadas na segunda secção do livro, incluindo algumas nunca antes interpretadas em época moderna. Em versão instrumental, ouviremos ainda outras peças polifónicas contemporâneas, oriundas de França, de Nápoles, ou mesmo da área germânica, entre as quais uma canção cujo título — "Portugaler" — indicia uma relação, que permanece por esclarecer, com personagens portugueses.
Os Europeus na Rota das Especiarias
Época medieval
Do al-Andaluz ibérico dos séculos XII/XIII (canções de autores ibero-árabes, Cantigas de Santa Maria com influência perso-árabe) ao norte de Itália nos finais do século XIV (peças instrumentais de influência oriental; peças vocais de Maestro Piero, Bartolino da Padova e Filipoctus de Caserta).
Época das descobertas
Música inspirada pelas Ilhas Canárias, música do colégio jesuíta de Goa, vilancicos "negros" ou "guineos".