24 de setembro de 2009

Vozes Alfonsinas no X Festival de Música Antigua Iberoamericana (Cáceres)


As Vozes Alfonsinas participarão no próximo dia 9 de Outubro no X Festival de Música Antigua Iberoamericana (Cáceres), actuando na Igreja de S. Mateus, pelas 20:30, horas locais.


O tema do concerto será De la mar al Brasil: Canciones y otros sones



Amores en la mar

Benedicamus Domino, Anónimo

“Na fonte está Lianor”, Anónimo

“Senhora quem vos disser” , Anónimo

“Si amores”, Mateo Flecha/Miguel de Fuenllana, duo instr.

“Si los delfines”, Miguel de Fuenllana: Endechas de Canarias

Pavana (instr.), Luís Milán

“Parto triste, saludoso” , Anónimo

“Cuidados meus tão cuidados” , Anónimo

“Guardame las vacas”, Luís Narváez: Variações sobre (instr.)

“Io m’estando em Coimbra” , romance, Anónimo



Amores brasileños

Ave Maria poránga, Anónimo (música)/ José de Anchieta (texto tupi)

“Ó que pão, ó que comida”, Anónimo (música)/ José de Anchieta (texto), (Do

Santíssimo Sacramento)

Congratulamini mihi omnes, Juan de Anchieta, (instr.)

“Oh Dios infinito”, Anónimo (música)/ José de Anchieta (texto)

“Mil suspiros dió Maria”, Anónimo (mús.)/ José de Anchieta (texto):

“Marizápalos baxó una tarde”/ “Marinículas todos os dias”, Anónimo (música)/ López de Honrubias, Gregório de Matos (textos):

“Venid a sospirar al verde prado/Venid a suspirar con Jesú amado”, Anónimo /José de Anchieta (texto)




A composição do grupo para este concerto será a seguinte:

Manuel Pedro Ferreira, direcção

Susana Conde Teixeira, meio-soprano, flauta de pico

Gonçalo Pinto Gonçalves, tenor, percussões

Sérgio Peixoto, tenor

Victor Gaspar, barítono

Madalena Cabral, rabel

Nuno Torka Miranda, vihuela


Antologia de Música em Portugal

A presente Antologia dedicada à música em Portugal na Idade Média e no Renascimento, compreendendo dois volumes e dois CDs, põe pela primeira vez à disposição uma introdução histórica actualizada sobre os primeiros séculos da actividade musical no território português, ilustrada com fotografias a cores e a preto e branco, com exemplos sonoros e com transcrições musicais.

A introdução, a direcção musical e a coordenação das colaborações musicológicas coube a Manuel Pedro Ferreira, especialista da Universidade Nova de Lisboa com largo currículo internacio
nal. Os discos foram gravados pelo grupo Vozes Alfonsinas, que desde 1995 se dedica, com assinalável sucesso, à recriação e divulgação da música ibérica mais antiga.

A antologia de música reúne 56 peças, uma variedade de repertório conhecido ou composto no território que hoje é Portugal entre o século VII e o final do reinado de D. Sebastião.

A secção «Monodia sacra» inclui duas peças inéditas, uma versão desconhecida e novas leituras de outras três peças.

Nas secções «Monodia profana medieval» e «Monodia religiosa medieval em língua vulgar» incluem-se novas leituras musicais de três cantigas e três propostas inéditas de adaptação de melodias medievais a textos cantados que nos chegaram sem música; quatro composições recebem também uma nova edição textual. A inclusão, sob o título «Primeiras polifonias e polifonias simples», de peças medievais até há pouco desconhecidas ou sujeitas a interpretações equi
vocadas e de peças mais tardias que dificilmente se enquadram nos cânones eruditos é, em si mesma, uma novidade historiográfica, que vem na linha da recente valorização, na musicologia internacional, de modos de fazer música algo arcaicos ou informais. Esta secção inclui três peças absolutamente inéditas e três outras que apenas se encontram em publicações de circulação restrita.

Na secção «Canção profana (século XVI)» apresentam-se leituras por vezes distintas das que nos são oferecidas nas edições disponíveis, havendo sempre o cuidado de dispor os textos completos sob cada uma das vozes, nos casos em que a textura é polifónica.


Na secção «Polifonia sacra (século XVI)» incluem-se nove peças inéditas e uma que estava apenas parcialmente publicada. Na secção «Música instrumental» incluem-se cinco versões ou peças inéditas provenientes
da Arte novamente inventada para aprender a tanger de Gonçalo de Baena (Lisboa, German Galharde, 1540), entre as quais uma intabulação do mais célebre moteto de Pero do Porto (Escobar) e uma composição rara de Cristóbal de Morales, além de novas leituras de duas fantasias para tecla atribuídas a António Carreira, o Velho. A edição, a partir dos impressos originais, das peças de Milán e Fuenllana teve em conta a possibilidade de se tocar na guitarra moderna a música aí publicada em tablatura para vihuela.

(sinopse retirada de www.wook.pt)

24 de dezembro de 2008

Criticas ao programa do CCB de 16 de Dezembro

O concerto já lá vai mas as ondas de choque ainda se fazem sentir.

Diz H[enrique] S[ilveira] em 21 de Dezembro

Excelente concerto

Estou a escutar o concerto de Natal das Vozes Alfonsinas no CCB. Devo dizer que estou deliciado com a qualidade do grupo e da direcção e escolha das obras.

O director, Manuel Pedro Ferreira, e o grupo estão de parabéns por um trabalho de alto nível.


Diz Pedro Boléo, no Público (sem link) também em 21 de Dezembro:

As Vozes Alfonsinas: "Amores divinos e profanos"
Lisboa, Pequeno auditório do Centro Cultural de Belém Terça-feira, 16 de Dezembro, às 19h

Cerca de 100 espectadores As Vozes Alfonsinas apresentaram no CCB um programa ambicioso na sua forma e na sua dimensão. O repertório foi cuidadosamente escolhido, incluindo canções europeias do Renascimento, vilancicos ibéricos dos séculos XV ao século XVIII e cânticos de Natal, a condizer com a quadra. Mas o início do espectáculo continha um risco - era difícil cativar os ouvintes com um canto religioso distante, o Canto da Sibila, segundo a tradição bracarense, quase sempre a uma só voz, e cobertos com capas escuras. Ainda nesta primeira parte em que se falava de amores divinos, "em torno ao Natal", ouviram-se contudo pequenas pérolas musicais que despertaram os ouvidos. Foi o caso de Ad cantus leticie, um discantus para duas vozes muito bem cantado, mostrando-nos as surpresas de uma das primeiras formas de contraponto escritas.

O espectáculo voou depois para os "amores profanos", começando com um excelente momento de Susana Teixeira em Mon seul plaisir de John Bedyngham. Nesta parte cantavam-se canções (algumas em versão instrumental) do manuscrito 714 (códice Porto 714), importante fonte musical do século XV que está na Biblioteca Pública Municipal do Porto. Destaquemos o trio vocal Helas n'array ie jamais mieux, a que só faltou uma afinação mais rigorosa, ou O rosa bella, uma outra belíssima canção de Bedyngham. Quebrado o gelo com estes amores terrestres, com o "aquecimento" dos instrumentos (alaúde, vihuela, rabeque e flautas) e com o calor das bocas, As Vozes Alfonsinas mostraram, depois do intervalo, o verdadeiro objectivo do projecto dirigido por Manuel Pedro Ferreira, ou seja, a interpretação de qualidade de um reportório cuidadosamente estudado, transcrito e trabalhado, com opções estéticas e sonoras que põem em destaque a voz e os textos. Por isso mesmo foi pena que não pudessem ser distribuídos os textos das canções do programa, que podiam ajudar nalguns casos a decifrar arcaísmos de linguagem.

Seguiram-se canções e peças ibéricas do Renascimento. Novamente houve problemas de afinação no início da segunda parte com Un'amiga tengo, hermana. Mas seguiu-se um belo percurso, quase sem espinhas, com momentos altos em Na Fonte está Lianor ou Parti ledo por te ver (do cancioneiro de Elvas), com Susana Teixeira, Maria Repas Gonçalves e Sérgio Peixoto em grande forma. As vozes femininas cantaram com particular sensibilidade Si los delfines, versos musicados de Miguel de Fuenllana. Pelo meio, pequenos e interessantes momentos instrumentais, sobretudo a Fantasia de Luís Milán e, apesar dos tropeções, a excelente obra de Luís Narváez sobre Guardame las vacas.

O programa completava-se com um regresso ao Natal e um final delicioso (e entusiasmado), com um vilancico de fins do século XV, num crioulo antigo guineo-português. E então se confirmaram algumas das melhores qualidades do grupo: boa ligação entre as vozes e criação de timbres e sonoridades não convencionais. E sobretudo o facto de serem agradáveis e ricas vozes humanas, não formatadas, e cuidadosas com a dicção e a articulação. Coisas com muita importância, porque cantar é também contar, dizer, narrar. Neste caso, contar histórias de amor muito antigas.

Pedro Boléo